Livros - Nosferatu

Nosferatu é o terceiro romance de Joe Hill, filho de Stephen King.
Nessa história, Victoria cruza uma ponte interditada utilizando uma bicicleta (que mais tarde é substituída por uma moto). Através dessa ponte ela consegue encontrar objetos perdidos e ir a lugares que se mostrem necessários para cada momento de sua vida.

Numa dessas travessias ela conhece uma menina chamada Margareth Leigh que tem suas "ferramentas" para prever acontecimentos: um jogo de palavras cruzadas.

Charlie Manx é considerado um assassino de crianças, mas, na versão dele, ele simplesmente as salva de pais ruins, levando-as para a Terra do Natal.

Margareth Leigh diz à Victoria que um dia ela encontrará o Espectro, mas que, por ora, já que são crianças, ela deve manter distância dele. Durante a adolescência, Victoria conhece a Casa Sino, local para onde Manx leva as crianças e onde há enfeites de natal pendurados em árvores.

Em meio a descrições chulas, às vezes um tanto gore (principalmente nas partes que envolvem morte), descobrimos que as crianças não morrem exatamente, mas são transformadas. E o plano de Victoria é explodir tudo.

Apenas uma palavra: adorei. As descrições das cenas em "Nosferatu" são bem diretas, sendo que o tradutor não teve vergonha nenhuma em utilizar palavras como "puta", "pinto", "pau", entre outras (e agradeço ao editor por ter deixado isso passar, pois várias partes do livro perderiam a intensidade caso a tradução fosse mais branda).

A história é contada por épocas na vida de Victoria e os capítulos não são numerados, mas apresentam os nomes dos locais onde se passa aquela parte específica da história, que em alguns pontos não é linear e não envolve Victoria. O início do livro, momento em que conhecemos Manx em coma na UTI, me lembrou a parte final do filme "Sinister" (avancem p/ 2:36 e assistam daí): https://www.youtube.com/watch?v=Dp1ElAJDK5A

Gostaria que fizessem um filme a partir desse livro, mas tenho receio de que estraguem a história, como tem acontecido ultimamente ("O Hobbit", essa foi p/ vc).
 

Ah, eu mencionei que há mortes via martelo de ossos roubado de necrotério (o roubo inclui o corpo de Manx), crianças com facas, machadinhas e cutelos, gente pegando fogo em posto de combustível, lacaios do mal com máscara de gás (p/ quem assistiu Dr Who, "Are you my mommy?"), uma lua falante escrota na Terra do Natal e crianças mortas realizando ligações telefônicas? Então... leiam.

Livros - As Fontes do Paraíso

Vanevar Morgan é um engenheiro responsável por construir pontes bem famosas, como por exemplo, uma ligando o Marrocos à Espanha passando pelo Mar Mediterrâneo. Em uma de suas viagens, ele acaba indo p/ Taprobana (nome histórico p/ uma ilha no Oceano Índico) [sup]1[/sup], onde será construído um elevador espacial. Tipo esse daqui:


Moravam nessa região os principes Kalidasa e Malgara. P/ encurtar a novela da Globo: eles eram meio-irmãos e Kalidasa "queria porque queria" a riqueza do pai, que foi morto na seguinte situação:
Quando a água estava na altura da cintura, pegou um pouco dela nas mãos em concha e jogou-a na própria cabeça. Então, voltou-se para Kalidasa, com orgulho e triunfo.
-- Aqui, meu filho -- exclamou, acenando para as léguas de água pura e vivificante --, aqui, aqui está toda a minha riqueza!
O pai de Kalidasa havia construído um jardim enorme com fontes de água, conhecido como o Jardim dos Prazeres. Isso incluía esculturas das deusas nos paredões de rocha (sério, um filme disso já).

Mas Kalidasa  não arrumou encrenca só com o irmão e com o pai. Prá quê ficar só nisso se dá p/ incomodar os monges budistas também, né? Um detalhe do livro que talvez possa não fazer sentido é o conflito entre budismo e hinduísmo. Isso foi real, como descrito no livro Introducing Chinese Religions. Pois bem... Os monges achavam que Kalidasa estava querendo se transformar em um deus. Seu meio-irmão também. Por isso, depois que Kalidasa morreu e foi "acendido" na pira funerária, Malgara ordenou que o palácio nas montanhas fosse destruído.

Passou só um pouquinho de tempo, como dá pra ver, antes que Vanevar Morgan conhecesse o local:

Antes de subirem de novo nos jardins de Kalidasa, a Roma imperial já teria acabado, os exércitos do Islã teriam marchado pela África, Copérnico teria destronado a Terra do centro do universo, a Declaração de Independência teria sido assinada e o homem teria andado na Lua...
A ficha eventualmente acaba caindo em alguns personagens: Taprobana, mais especificamente, uma montanha, é o único local adequado p/ se construir esse elevador. O problema é que o lugar já está ocupado. Por um monastério budista.

Os aliens que aparecem na história não parecem se encaixar no enredo humano (foi a única coisa que não gostei). Fora isso, eu gostaria de ver como ficaria o cenário das montanhas com as estátuas esculpidas na encosta e os jardins num filme. Imagino que seria quase como Rivendell, do Senhor do Anéis.

Há mortes no livro. Gosto disso. Pena que uma delas é previsível.

1 https://en.wikipedia.org/wiki/Taprobana